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GONÇALO RIBEIRO TELLES

Compilação de ideias fundamentais do Pai da Ecologia Portuguesa!


Arquiteto paisagista, esteve presente na resistência ao fascismo, desde jovem. Monárquico católico com quem republicanos e agnósticos ou ateus dialogaram sempre amistosamente, na luta contra a ditadura. Cidadão muito respeitado pela sua seriedade, era conhecido pela cordialidade, pelo entusiasmo e pelo rigor científico, com que se envolvia nas causas e iniciativas ligadas ao meio ambiente, pela forma como exerceu a profissão, mas também pela sua dimensão humanista e disponibilidade para partilhar conhecimentos.


“Gonçalo Ribeiro Telles é uma referência na cultura portuguesa em todos os domínios em que exerceu atividade ou em que fez sentir o seu magistério cívico. Naturalmente que, como Arquiteto Paisagista, o seu lugar, ao lado de uma plêiade notável de portugueses, tornou-se um autentico símbolo. E hoje pode dizer-se que ocupa uma posição central entre os pioneiros e os discípulos. A sua notoriedade tornou-se marcante, uma vez que soube aliar o domínio da sua arte e da sua ciência a uma constante ação de mobilização de cidadania entorno do equilíbrio ecológico e da conciliação entre a tradição e o progresso. Daí que sua voz continue a levantar-se e a ter de ser ouvida, contra todos os atentados que têm levado à destruição da história humana, que está cheia de tendências destruidoras do património cultural, entendido no sentido amplo, desde as cidades e os edifícios até às paisagens, desde as artes tradicionais até à vida comunitária. No entanto, o que Gonçalo Ribeiro Telles sempre nos ensinou foi que a democracia, para se consolidar, precisa de cuidar da memória e da cultura, como fatores de humanização - de modo que o ser prevaleça sobre o ter e que a dignidade humana seja o denominador comum da vida em sociedade.


‘O homem desempenha na modelação da paisagem um papel muito importante; pode ser considerado, neste aspeto, como um autentico criador de beleza. Toda a atividade humana tem como fim a satisfação das suas necessidades, quer espirituais, quer materiais. (...) A paisagem terá de ser considerada como um todo orgânico e biológico em que cada elemento é interdependente, influenciando e sofrendo da presença dos restantes participantes. A reciprocidade é a lei fundamental da Natureza.’ Estas são palavras de 1956, mas poderiam ser escritas hoje. Centrando-se na pessoa e no seu sentido comunitário, Gonçalo Ribeiro Telles, apela a uma natureza equilibrada, na qual a lembrança e o desejo, a memória e a criação se encontrem. E a ideia de reciprocidade representa a importância de uma relação diferenciada, com influencias cruzadas de interdependência e complementaridade.”

Guilherme de Oliveira Martins



Gonçalo Ribeiro Telles foi o grande mentor ideológico de uma política de paisagem, que se desenvolveu em Portugal na década de 60 (antes de outros países), procurando uma relação íntima entre a Cultura e a Natureza. Deixa uma marca não só ao nível da arquitetura paisagista (o Parque Gulbenkian é o exemplo mais conhecido entre inúmeros outros), como na política do ambiente em Portugal.


Figura notável das questões do ordenamento do território, introduziu em Portugal a Ecologia, conceitos como biodiversidade, multi-funcionalidade, equilíbrio, dinâmica e a noção de recurso finito. Devemos-lhe jardins urbanos aprazíveis, as hortas urbanas, a proteção legal dos parques naturais e da reserva natural, a Reserva Agrícola Nacional, a Reserva Ecológica Nacional, as primeiras bases do Plano Diretor Municipal, e também a frontal denúncia dos empórios do betão, da celulose e da energia.


Citando o próprio: "A paisagem é, em termos culturais, a expressão mais significativa do território, expressão que melhor traduz a obra de sucessivas gerações na progressiva humanização da terra. A paisagem pode também ser o diagnóstico mais seguro do estado de saúde da crosta terrestre, de cuja complexidade física e biológica depende da existência da vida e, portanto, também da humanidade. Todas as paisagens se integram em paisagens mais abrangentes até se conjugarem nas formas e no eco global da biosfera. São, no entanto, as paisagens tradicionais de cada país, criadas e mantidas por cada comunidade, que têm significado real e concreto na cultura de um povo, resultando deste facto o interesse na sua conservação. No mundo desenvolvido, as paisagens desenvolvidas de cada país, vêm sendo assumidas como património único e raro por traduzirem identidades e culturas próprias. A conservação das paisagens tradicionais e das formas e práticas que cimentaram o seu equilíbrio ecológico é hoje fundamental para uma melhor gestão dos recursos naturais e para a afirmação da identidade cultural das nações. (...) A variedade das paisagens portuguesas é em grande medida, consequência da diversidade do mosaico geográfico em que elas se inscreveram. (...) As nossas paisagens são obras de agricultores, pastores e de homens dos ofícios de cuja ação persistente resultou a sua utilidade e beleza. A conservação das nossas paisagens tradicionais é, também, uma atitude de modernidade porque se trata não só de contribuir para o desenvolvimento de uma cultura como, também, de garantir o equilíbrio ecológico do território.”



“A construção da paisagem humanizada faz-se procurando harmonizar os interesses do Homem com a Natureza porque ele é, ao mesmo tempo, senhor e escravo dela. Senhor, porque tem cada vez maior possibilidade de a alterar, transformar e até destruir. (...) Escravo, porque se não utilizar a natureza em benefício da humanidade num sentido intemporal e criativo, utilizando sabiamente todas as suas potencialidades, será por ela amordaçado e escravizado. A comunidade humana deve marchar para uma maior dignidade utilizando e amando o único instrumento capaz de a manter e libertar: a Natureza.”

Gonçalo Ribeiro Telles





"A reciprocidade é a lei fundamental da Natureza."

Gonçalo Ribeiro Telles

1922-2020









Gratidão Gonçalo Ribeiro Telles !!!




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